O Corpo da Mulher Negra e a Análise Bioenergética

Autores

  • Juliana Maria de Pinho Barbosa Libertas Comunidade, Recife, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.14295/rlapc.v12i20.211

Palavras-chave:

Corpo negro, Bioenergética, Racismo estrutural, Feminismo negro

Resumo

Este artigo analisa a corporeidade da mulher negra sob a perspectiva da Análise Bioenergética, considerando as tensões musculares, emoções reprimidas e padrões de comportamento moldados pelo racismo e pelo sexismo. Baseando-se em teóricos como Alexander Lowen, Angela Davis, bell hooks e Neusa Santos Souza, a pesquisa discute a construção da subjetividade negra em uma sociedade regida por padrões da branquitude. A escravização impôs traumas profundos cujos impactos ainda reverberam no corpo e na identidade da mulher negra, afetando sua expressão e bem-estar físico e emocional. Estratégias de sobrevivência, como a repressão de sentimentos, reforçam um padrão de contenção que geram as couraças corporais. A partir da Bioenergética, compreende-se que a flexibilização dessas couraças é essencial para a reconstrução da autonomia e do pertencimento da mulher negra, sendo o grounding uma das ferramentas terapêuticas fundamentais para a promoção de conexão com o corpo e a superação de traumas históricos, possibilitando um processo promoção de saúde, fortalecimento da identidade e a reconexão com um corpo pulsante e vivo.

Palavras chave: Corpo negro; Bioenergética; Racismo estrutural; Feminismo negro.

 

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Biografia do Autor

Juliana Maria de Pinho Barbosa, Libertas Comunidade, Recife, Brasil.

Graduação em Psicologia pela Universidade Salvador (UNIFACS). Especialização em MBA em Gestão de Pessoas pela Faculdade Ruy Barbosa, Brasil. Analista de Desenvolvimento Social.  Psicóloga do Instituto de Desenvolvimento Social pela Música (IDSM) , Brasil. Libertas Comunidade. 

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Publicado

2025-11-30

Como Citar

Barbosa, J. M. de P. (2025). O Corpo da Mulher Negra e a Análise Bioenergética. REVISTA LATINO-AMERICANA DE PSICOLOGIA CORPORAL, 12(20), 124–139. https://doi.org/10.14295/rlapc.v12i20.211

Edição

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Artigos