O Corpo da Mulher Negra e a Análise Bioenergética
DOI:
https://doi.org/10.14295/rlapc.v12i20.211Palavras-chave:
Corpo negro, Bioenergética, Racismo estrutural, Feminismo negroResumo
Este artigo analisa a corporeidade da mulher negra sob a perspectiva da Análise Bioenergética, considerando as tensões musculares, emoções reprimidas e padrões de comportamento moldados pelo racismo e pelo sexismo. Baseando-se em teóricos como Alexander Lowen, Angela Davis, bell hooks e Neusa Santos Souza, a pesquisa discute a construção da subjetividade negra em uma sociedade regida por padrões da branquitude. A escravização impôs traumas profundos cujos impactos ainda reverberam no corpo e na identidade da mulher negra, afetando sua expressão e bem-estar físico e emocional. Estratégias de sobrevivência, como a repressão de sentimentos, reforçam um padrão de contenção que geram as couraças corporais. A partir da Bioenergética, compreende-se que a flexibilização dessas couraças é essencial para a reconstrução da autonomia e do pertencimento da mulher negra, sendo o grounding uma das ferramentas terapêuticas fundamentais para a promoção de conexão com o corpo e a superação de traumas históricos, possibilitando um processo promoção de saúde, fortalecimento da identidade e a reconexão com um corpo pulsante e vivo.
Palavras chave: Corpo negro; Bioenergética; Racismo estrutural; Feminismo negro.
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