As Encruzilhadas de Exu: Descolonizando a Análise Bioenergética através das Sabedorias de Terreiro
DOI:
https://doi.org/10.14295/rlapc.v12i20.215Palavras-chave:
Análise Bioenergética, descolonização, ancestralidade, ExuResumo
Esta pesquisa propõe descolonizar a Análise Bioenergética, enraizando suas narrativas teóricas no contexto brasileiro e entrelaçando-as com cosmovisões de terreiro. A partir do diálogo entre conceitos da Bioenergética e Exu, toma-se as Encruzilhadas como um cosmograma metodológico. O estudo aproxima a noção de pessoa em Lowen, que reúne corpo, mente, alma e espírito de forma ainda individualizada, das concepções africanas, que compreendem o ser em relação ao território, à comunidade, às ancestralidades e à oralidade. Essa interlocução evidencia convergências entre diferentes modos de sentir e pensar as corporalidades e espiritualidades, contribuindo para a construção de uma Análise Bioenergética contra-colonial, territorializada e atravessada por saberes que desafiam o corpo universal e abstrato das teorias ocidentais, convocando uma clínica que acolhe a multiplicidade de existências e modos de viver o corpo.
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