Autotranscendência na prática clínica: desreflexão logoterapêutica diante do vazio existencial contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.14295/rlapc.v12i20.217Palavras-chave:
logoterapia, autotranscendência, vazio existencial, desreflexão, prática clínicaResumo
A clínica psicológica contemporânea tem recebido um número crescente de pacientes que não apresentam apenas quadros clássicos de ansiedade ou depressão, mas uma experiência difusa de esvaziamento interior, tédio crônico e falta de sentido. À luz da Logoterapia de Viktor Frankl, este artigo discute a autotranscendência como eixo clínico privilegiado para o manejo do vazio existencial em contextos marcados por hiperdesempenho, liquidez dos vínculos e consumismo. Trata-se de um estudo teórico de caráter narrativo, fundamentado na articulação entre o diagnóstico sociocultural de autores contemporâneos e os conceitos centrais de vazio existencial, vontade de sentido e autotranscendência em Frankl. Inicialmente, apresenta-se o vazio existencial como neurose de massa e suas principais manifestações clínicas. Em seguida, desenvolve-se a autotranscendência como estrutura ontológica e recurso terapêutico, destacando a desreflexão como técnica que redireciona a atenção do eu saturado para tarefas, valores e relações significativas. Na parte aplicada, o artigo descreve cinco situações clínicas simuladas que exemplificam o uso da desreflexão em diferentes contextos de sofrimento, oferecendo modelos de intervenção para logoterapeutas e clínicos existenciais. Conclui-se que a autotranscendência, concretizada em atos de desreflexão, contribui para transformar o vazio em possibilidade de responsabilidade e reconstrução de sentido.
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