Da Potência Orgástica aos Vínculos Contemporâneos

Maria Fernanda Galvão de Andrade Lima

Resumo


Wilhelm Reich, pioneiro da psicologia corporal, por volta de 1927, ainda atuando como psicanalista, começou a desenvolver suas teorias sobre a Análise do Caráter e a Função do Orgasmo, as quais resultaram na publicação de dois livros. Na Análise do Caráter (1998), Reich faz um estudo minucioso partindo dos pressupostos psicanalíticos que ao longo dos anos a criança vai modificando seu comportamento diante dos traumas vividos e desenvolvendo outro tipo de comportamento para se proteger dos traumas vivenciados. Essa nova forma de viver torna-se parte do seu caráter impossibilitando o sujeito de reconhecer o que é saudável, e o não saudável para si mesmo, interferindo na sua espontaneidade, sexualidade, e liberdade de ser. Reich acreditava que para trabalhar as resistências inconscinte o discurso não dava conta desse sujeito que precisava lidar com as resistências caracteriais, movimentos, emoções, expressões, enfim, o corpo que expressa quem somos. Nessa perspectiva, Reich também atuou com posicionamento social, pois acreditava que era necessário se libertar das forças repressoras, refletindo e orientando temas sobre relacionamentos e sexualidade, bem como orientação sexual desde a infância. Nos seus pressupostos do livro A Função do Orgasmo(1995), Reich aprofunda a visão da sexualidade, onde se preocupa de com a genitalidade, e não apenas com as fases pré-genitais, que é complementar a visão do desenvolvimento psicossexual da Teoria Freudiana. Reich desenvolveu o conceito de energia somática e auto regulação e potência orgástica, que se relacionam com as vivências primárias ativas e inconscientes no corpo, desenvolvendo couraças, de contração, e mais além, sensações de inadaptação, medo da autoridade, angústia de prazer, atitude servil; Incapacidade para lidar com as emoções, ansiedades interpessoais e impotência orgástica - leia-se impotência orgástica - como uma visão da sexualidade somato psíquica onde o sujeito é negado desde que nasce em sua espontaneidade, singularidade, expressões afetivas e eróticas.. Toda essa negação vai mutilando o corpo e normatizando o que interessa ao sistema sócio econômico cultural. Sabemos, hoje, que depois de quase um século, muitas mudanças ocorreram, porém a sociedade continua normatizando, e outros tipos de medos se operam. Como destaca Bauman (2004), em sua visão atual, os vínculos estão frágeis, instantâneos e descartáveis. Tivemos grandes avanços e mudanças sócio culturais em relação à sexualidade, embora ainda haja muito a se fazer, porém temos o sujeito que ainda mantém dificuldades de vinculação, abusando do prazer desconectado dos sentimentos e utilizando o descartável como fenômeno humano contra o respeito, cuidado e dignidade de si e do outro.

 

Palavras chaves: Sujeito, sexualidade, corpo.


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Referências


BAUMA N,Z. Amor Líquido. Sobre a fragilidade dos vínculos humanos. Rio de Janeiro: Zahar,2004.

FREUD Recordar, Repetir e Elaborar Novas Recomendações Sobre a Técnica da Psicanálise II 1914.

LAPLANCHE, J. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

LOWEN, A. Narcisismo. Negação do verdadeiro “self”. São Paulo: Círculo do livro, 1983.

_______, Medo da vida. Caminhos da realização pessoal pela vitória sobre o medo.

São Paulo: Summus Editorial, 1986. REICH, Wilhelm.

REICH, W. Análise do Caráter. 3° Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

______, A função do orgasmo. 19ª Ed. Editora Brasiliense, 1995.


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